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* conto classificado entre os melhores apresentados em concurso literário de abril de 2009


Ela seria capaz de tudo.
Mudar, fugir, sumir…
A cada dia fingia não o perceber. Era como se ele não existisse.
Ele? Era apenas alguém que ali permanecia para dividir alguns momentos em comum.
Não, ela não queria perceber, nem sentir o que poderia ocorrer.
A simples presença ao seu lado incomodava. Machucava até.
Às vezes, permanecia imóvel, como se a respiração pudesse denunciar algo. Mas o quê, se nem ela mesma sabia?
Ou fingia não saber.
Os dias passavam. A presença e a necessidade de fugir diminuindo.
Ele parecia ter sumido de sua vida.
Ou ela começava a não conseguir controlar a falta que sentia.
Por isso, não precisava mais fugir.
Ou a barreira que havia criado para impedir seus sentimentos havia desmoronado.
Tudo parecia ser perigoso.
Uma pedra que faltasse poderia causar um grande estrago.
E catar os restos, os cacos, que ficariam pelo chão, mais uma vez em sua vida, não estava em seus planos.
Fazer o quê, então?
Continuar fugindo?
Seria esta a melhor solução?
Continuaria sozinha.
Era isso que tinha como certo para o futuro. Não faria tanta diferença.
É, continuaria sozinha.
Continuaria colocando pedras na imensa barreira que a separava do mundo.
Só não esperava que o destino pudesse pregar-lhe uma peça.
Nem sempre mandamos em nossos desejos. Às vezes, eles são teimosos demais e insistem em não ouvir a razão.
Mas que razão?
Aquela que, naquele momento, colocava um monte de interrogações em sua mente impedindo sentimentos e seus malditos e perigosos desejos.
Mas o destino armou sua cilada.
Era uma tarde ensolarada, pronto!
Todas as pedras de sua muralha, construída incansavelmente, ruíram.
E ela foi junto.
Caiu no mais profundo desejo de ser daquele homem que tinha acabado de destruir toda a sua razão.
Em um dia apenas, todo o seu esforço foi varrido pelo vento como partículas inexpressivas do tempo.
E ela se deixou sentir tudo o que desejava. Tudo o que merecia. Rir, falar da vida, de sonhos… mas nunca do futuro.
Talvez tenha medo dele.
Mesmo assim, fechou os olhos e se entregou.
Queria aquele homem mais do que tudo naquele momento.
E teve o que desejava, o que merecia.
Prazer.
Ele.
Hoje, ela foge do vento que, vez por outra, a confunde, enchendo-lhe de dúvidas.
Ainda é capaz de mudar, fugir, sumir, mas apenas para permanecer ao seu lado.
E os cacos?
Se do futuro, aquele que ainda teme, sobrarem restos, ela cata, coloca de volta e foge de vez, dela mesma, para sempre.

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