• Benjamin Button
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Um filme sobre histórias que brilham em busca do seu presente ou escurecem vivendo seu passado.
No momento em que fui escolher um dos cartazes de Benjamin Button, fiquei disposta a decidir por um dos muitos com algumas das mais belas cenas do filme, 13 ao todo. Foi então que passei os olhos neste cartaz preto e branco e pensei: tem que ser este!
Em um primeiro momento, parece ser um cartaz simples: uma foto em primeiro plano de um homem olhando para frente tendo em segundo plano um perfil escuro e uma mulher. Mas vamos olhá-lo com calma e cuidado.
Começando pela linha de leitura: básica, vertical e centralizada. Sem dificuldades para entender a mensagem textual já que ela se divide na parte de cima e de baixo, sempre ao centro, não causando dificuldades de leitura ao nosso cérebro.
Ainda observando a imagem textual — a sua tipografia — apesar de ser fina e leve, não causa dificuldades de leitura. Lemos facilmente o nome dos atores e do filme. Seu desenho, como disse, é leve e delicado com serifas pequenas e suaves. Mesmo no texto em amarelo existe facilidade de entendimento, só que com mais feminilidade.

E aqui começa a maravilhosa linguagem deste cartaz, e por isso a composição do texto é simples: a linguagem dos opostos, da patafísica, de mundos distantes mas que sempre se encontram. Uma história onde o fim é o início, e o início é o fim. Onde mundos se movem, se alternam e sofrem mudanças pelas dualidades da vida.
Assim é o filme e temos tudo isso neste cartaz de O Curioso Caso de Benjamin Button.
Começando nas fontes onde no texto em branco, predominam-se as formas retas – masculino – e no amarelo as sinuosidades – feminino. Além disso, a tipografia também faz um jogo com a nitidez onde podemos, no caso deste filme, fazer uma relação com o tempo: imagem mais nítida – tipografia em branco – o novo, juventude – e uma tipografia mais opaca com menos nitidez – texto em amarelo – o antigo, velhice.
E essa brincadeira, inversão infinita continua…
O cartaz é dividido na vertical por um rasgo que também divide a imagem, de cima a baixo, em novo e velho. A direita temos uma imagem mais uniforme, lisa, sem ranhuras ou defeitos. De um lado — esquerdo — o feminino, nítido, mas nas sombras. Do outro lado — direito — o masculino, rachado, irregular, mas com luz.
Temos aqui além da patafísica, a teoria do caos, a metafísica e a simbologia do Yin e Yang. Conceitos presentes no cartaz e no filme.
E essa brincadeira, inversão infinita continua…
Ele – masculino, claro, luminoso, é o yang que traz em suas simbologias o céu, a força, é diurno e é o físico. Sua imagem é nítida e em várias áreas é possível perceber claramente ranhuras que podem ser associadas a rugas, mas que também nos lembram em alguns locais mapas, ou rastros de uma civilização antiga, transformando a pele de Brad Pitt em um território repleto de histórias, rastros de diversas vidas que podem ter passado pelo seu corpo, pelo seu rosto. Um rosto com um olhar firme que dá força a sua personalidade. Seu olhar direcionado para frente denota uma característica ativa, realista que encara de frente a vida e o que ela pode dar.
Este corpo veste uma roupa que parece descolar, principalmente, no lado esquerdo onde podemos perceber claramente um outro rosto por baixo da pele que se descasca. É o antigo que cobre o novo ou seria um jovem por dentro do velho?
Ela – feminino, escuro, nas sombras, é o yin que traz nas suas simbologias a terra, é passiva, noturna e é a mente. Sua imagem está na sombra e vemos praticamente apenas uma silhueta que é delicada, perfeita, calma. Sua imagem não possui nenhuma imperfeição, seu olhar está direcionado para o alto dando à sua personalidade uma característica mais passiva, introspectiva, romântica e sonhadora.
Mas Cate Blanchett também possui o seu outro lado.
Assim como o yin possui dentro de si o yang ela também possui uma parte da imperfeição. Uma parte de seu cérebro, a direita, está dentro das ranhuras, das imperfeições dele. É a jovem dividida entre seu presente e o passado ou seria uma senhora em busca de sua juventude.
Ou seja, essa brincadeira, inversão infinita continua… um possui um pedaço do outro e cada um tem, em seu interior, o seu inverso.
Esse é o cartaz de O Curioso Caso de Benjamin Button e assim é o filme, repleto de simbologias, de universos opostos e ao mesmo tempo paralelos, de vidas que se encontram, de vidas que são descobertas. Um filme onde o início e o fim de uma vida podem ter o mesmo significado e importância, vivem as mesmas histórias, sucessos e fracassos. Se você ainda não viu, não perca mais tempo para ver e sentir um filme sobre histórias que brilham em busca de seu presente ou se escurecem vivendo seu passado.

junho 7th, 2009 at 00:24
Mto bom mesmo! Descobri vários detalhes, que eu nem tinha prestado atenção à primeira vista!!
junho 4th, 2009 at 17:32
Nooossa, bem legal!
Sem dúvida é preciso ter, além de conhecimento, uma sensibilidade imensa para sacar tudo isso…Parabéns! (:
junho 4th, 2009 at 15:42
Muito bom…adorei…
“viajei” lembrei mtos trechos do filme, e realmente, nunca imaginei a dimensão da mensagem nesse cartaz!
tudo de bom… =D
ah,e já votei para o próximo!
BJus =**
maio 29th, 2009 at 16:42
Super bem sacado esse lance de inversão, opostos…os sentido das cores na tipologia também…
maio 29th, 2009 at 00:16
obrigada vinicius :)
maio 29th, 2009 at 00:16
vamos ver se ele ganha ou se ficar entre os mais votados ele volta no mês que vem.. legal que gostou, obrigadan bjs
maio 28th, 2009 at 20:43
Adorei a análise, Marcia. Legal esse jogo de contrastes, puro yin/yang!
Ah, e já votei na enquete (no Tubarão, deve dar uma análise interessante).
Grande abraço!
maio 28th, 2009 at 17:19
parabéns mais uma vez!!!!!
adorei a análise deste cartaz!!!!!
maio 26th, 2009 at 16:11
valeu :)) e já votou? ;)
maio 26th, 2009 at 15:42
SENSACIONAL!
Vc manda muito bem Marcia. Com certeza, seus alunos te adoram!
E ja estou esperando o proximo hein!
bja
dani