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• Ausência

Hoje, 11 de dezembro de 2010, fazem 14 anos que minha mãe, Dulce, nos deixou. O conto abaixo escrevi faz tempo, 2006, mas nunca mostrei a ninguém.

Fica aqui como uma homenagem, uma lembrança dos tantos cafunés que recebia ao deitar em seu colo — quase todas as noites e mesmo com 29 anos — quando ficava ali, por horas, feito criança recebendo seu carinho. Uma falta que ainda não foi suprida mesmo depois de 14 anos.

Foram muitas receitas partilhadas — eramos grandes parceiras na cozinha — muitas receitas e enfeites de Natal e Ano Novo criando juntas.

Do dia em que foi levada ao hospital inconsciente ainda tenho na memória como se fosse hoje a imagem dela poucas horas antes de ter um AVC: a minha doce mãe Dulce em uma escada pegando os enfeites para o Natal enquanto conversávamos sobre nossas invenções natalinas. Iríamos fazer compras juntas naquele dia mas, ela me recomendou que eu fosse sozinha para agilizar tudo.

Eu fui e quanto voltei já não tive mais a minha doce Dulce. Ficou inconsciente por uma semana e depois nos deixou, dias antes do Natal que ela tanto gostava.

Desde então nunca mais enfeitei minha casa para o Natal nem Fim de Ano.

Sempre que tento — como tentei estes dias pensar em algo — não consigo, afinal sempre fiz isso com ela e, confesso, mesmo depois de 14 anos… não consigo, ainda é muito difícil. Para mim é a época mais difícil do ano.

A falta e a saudade ainda são imensas.

Dulce: ainda te vejo e conversamos muito em nossos encontros espirituais, esse conto mínimo fiz para você em 2006 e nunca publiquei, hoje ele é seu!


Ausência


Quantas vezes deitava-se naquele colo e como uma criança, repousava nele seu rosto de mulher.

Era sempre assim, todas as noites.

Depois de um dia de cansaço recebia o carinho daquelas mãos em seus cabelos.

Quantas vezes adormecia assim, como uma criança, e alí permanecia até, carinhosamente, ser lembrada de ir para cama.

Em outras noites passavam sentadas, lado a lado, conversando amenidades.

Sem confissões, conselhos ou conversas de amigas.

Apenas com a presença uma da outra.

A simplicidade estava na estreita relação com as artes, culinária, música, teatro.

Muitos gostos, tantos iguais.

Poucas conversas e tanto colo.

Os anos se passavam e era sempre assim.

Um carinho e um boa noite.

Até que em uma tarde de dezembro, um imprevisto afastou para sempre a mão do colo.

Agora o sofá está vazio.

Quantas noites ainda virão.

E as conversas?

Existem somente em seus sonhos ou sozinha no silêncio do seu quarto.


Márcia Okida . 2006

Para Dulce, minha mãe, falecida em 1996


Aos que lerem este texto e quiserem fazer uma prece, um bom pensamento para ela, agradeço.

Ela não era religiosa, não gostava de ir em igrejas, não era espírita, não tinha religião.

Quando perguntavam o que ela era, respondia

“Sou livre pensadora e minha reliogião é  não fazer mau para ninguém, não fazer para os outros o que não quero que façam para mim”

Eu sou assim, penso assim e aprendi com ela muito do que sou.

6 Responses to “• Ausência”

  1. 6
    Jurandir Says:

    Emocionante!!!
    Muito linda suas palavras.
    Bjs

  2. 5
    Deborah Says:

    Ela estava a frente do tempo dela e ao mesmo tempo ligada nos valores que importam de verdade (tão perdidos hoje em dia), como família, verdade, compaixão, amor ao próximo, ação correta…

  3. 4
    Reis Says:

    Pela segunda vez, hoje, você me fez chorar.

    Tenho certeza, ela adorou!

    Beijos.

  4. 3
    Márcio Says:

    Márcia, segue um poema teu ou uma oração, como pediste:

    Oração

    Não era religiosa:
    Não ia a igrejas,
    Nâo era espírita.
    Quando perguntavam, respondia:
    “Sou livre pensadora.”
    No entanto, como uma prece,
    gostava do Natal e do Ano-Novo.

    Beijo, do Márcio.

  5. 2
    Marcos Guinoza Says:

    Querida Marcia…
    a dor da ausência nunca vai embora.
    perdi meu pai e, mesmo que a gente não tenha tido uma relação próxima, ainda sinto a falta dele.
    mas hoje é uma dor de saudade daquilo que a gente nunca viveu…
    fica bem.
    bj.

  6. 1
    Vivian Kecioris Says:

    Hoje também é “aniversário” do acidente que levou meu pai. Há dois anos, mas não parecem nem dois dias. A saudade é muita, as vezes mais do que o coração consegue aguentar. Uma sensação de vazio, que nada vai preencher. Essa relação eu tinha com meu pai, mas nosso sofá era o banco do carro…

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